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Os aspetos menos positivos do nosso percurso não têm lugar na sociedade (digital)?

Escolhemos as nossas melhores fotos. Temos muitos amigos, relações perfeitas e festejamos as vitórias.

Não são as vitórias mais valorizadas com as adversidades? As relações só são perfeitas se concordarmos o tempo todo e estivermos em sintonia? E os amigos? Não precisarão de passar por provas de força, distância e tempo para sabermos de que fibra são feitos?

Os pontos menos positivos para serem mostrados, foram, são e serão automaticamente postos de parte pela sociedade? Serão vistos como uma vitimização ou um descuido por parte da pessoa que os deixou transparecer?

E se essa for a sua verdade? A verdade que se torna reprimida pela pressão do próprio e dos outros, e que se revela numa ditadura da felicidade.

Mostrar as coisas boas torna-se vantajoso se funcionar como inspiração, e não como veículo de comparação e inferiorização.

Até aqui foi uma reflexão. Porém, a preocupação surge…

Esta pressão transcende os ecrãs do que é público e invade aquilo que é mais privado. A nossa intimidade não partilhada. O que é suposto ficar dentro de portas, fechado a sete chaves, é suposto porquê?

Estas ideias geracionais levam as pessoas a um isolamento voluntário?

Querem verdadeiramente estar sozinhas, ou têm medo que sejam vistas pelos outros como se tivessem falhado por ligarem ou mandarem mensagem a um amigo: “estou mal, preciso de ti.”

E quando um amigo não chega, parece mal procurar ajuda profissional? A escolha de uma vida que permita reduzir a necessidade de evasão não é certa. A honestidade torna-nos reais.

Sobre permitir-se todo o tipo de emoções.