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Doença de Crohn

1 ano e 2 dias de diagnóstico. Provavelmente, muito mais tempo de convivência diária com a doença. Não é uma condição, é uma doença!

Nunca me senti a pessoa mais saudável do mundo, mas no verão de 2019 senti-me verdadeiramente doente. Doente ao ponto de dizer a quem estava ao meu lado: “eu acho que vou morrer”. Bem sei que todos vamos, mas sentia nesse momento uma fraqueza intensa, a energia a ir-se embora, como se existisse apenas uma linha ténue entre o designado outro lado e este lado da vida. Não pedi opinião a ninguém sobre a partilha deste tópico tão meu, porque a luta também é tão minha. Bem sei que afeta toda a gente à minha volta, mas o que cada um sente é o que cada um sente.Dor é um conceito presente em praticamente todos os meus dias. Bem sei que a doença foi descoberta há pouco tempo e é difícil “acertar com a medicação”.

Há muito por descobrir em relação a este problema e os sintomas diferem de pessoa para pessoa. O que se sabe é que o meu corpo me tenta defender de tudo e mais alguma coisa, mas ele está tão confuso. Provoca uma resposta exagerada em relação ao que é realmente mau, mas também ao que pode ser bom. A assimilação é difícil para ele, então expulsa tudo.Se ele me defende a mais, porque hei de eu me defender a menos? O que tenho aprendido com isto? É duro. As consultas multiplicam-se, exames e análises constantes, onde podem surgir internamentos pelo meio. Os baixos vão e voltam, mas os baixos são muito baixos.

Hoje é um desses dias. Estou a ter uma crise de aftas muito dolorosa à espera que a cortisona faça algum efeito. O que aprendi com isto? A não ter vergonha. A combater o estigma, como faço em relação a muitos outros temas. Não inventem desculpas para não estar com os vossos amigos, ou não irem a isto ou aquilo. Digam a verdadeira razão. Só sabendo vocês próprios a vossa verdade e quem vos rodeia, poderão ter um maior e melhor suporte social, assim como um maior e melhor tempo para estarem sozinhos se assim necessitarem .A mensagem é: Relativizar. E deixarem entrar na sua maioria  relações saudáveis, ambientes saudáveis, pensamentos saudáveis.

Saber respeitar o nosso tempo, ouvir o nosso corpo. E aceitar:naipe_copas:

Mas eu queria acrescentar:
Há uns dias escrevi este texto com alguma comoção, a emoção veio depois, ao ler-vos. De repente, surgiu o lado positivo daquilo que é mau. O tema que tantas vezes me rouba o sorriso, devolveu-me o brilho no olhar. De repente, tremi. Gosto muito de que aquilo que eu faça, traga contributo para o outro e no fundo tinha essa esperança. Não contava que o relato daquilo que é a normalidade do meu dia a dia se tornasse numa onda de energia contagiante, mas a verdade é que se multiplicaram as mensagens de pessoas que não ficaram indiferentes e que lutam, lutaram ou lidam com quem lute contra problemas como a doença de crohn, psoríase e cancro. Não vos quero largar mais. Senti um boost incrível e a minha gratidão tornou-se desmedida.Para que as lágrimas de dor, se tornem em lágrimas de amor e de entusiasmo por esta união, deixo o meu e mail para todas as pessoas que também queiram deixar alguma partilha.
beatriz@wneeds.org
A quem já o fez, tornou-se uma inspiração para mim. Prometo ler e responder-vos sempre.